Seguidores

Pesquisar este blog

segunda-feira, 16 de maio de 2011

IPCC: Brasil marca presença em energias renováveis

Do Planeta Coppe – As fontes renováveis suprirão 80% da energia em 2050. A biomassa, a energia eólica e a energia solar serão, dentre as renováveis, as que mais estarão contribuindo para a oferta de energia no mundo em 40 anos. Mas para isso é preciso que governos adotem políticas públicas que viabilizem a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia mais limpas. Essas são as principais conclusões do Relatório Especial sobre Energias Renováveis que será divulgado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) – o painel da ONU que estuda a mudança climática – no mês de maio, em Abu Dhabi. De acordo com os cenários analisados pelo IPCC, as fontes renováveis poderão reduzir entre 220 Gt e 560 Gt (gigatoneladas) a emissão de CO2 na atmosfera entre 2010 e 2050.

Quatro professores da Coppe participaram da elaboração desse relatório: Segen Estefen, professor de Engenharia Oceânica, e Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético, coordenaram, respectivamente, o capítulo sobre Energia dos Oceanos e o capítulo sobre Potencial de Mitigação e Custos; Marcos Freitas, professor de Planejamento Energético, é um dos autores do capítulo sobre Hidreletricidade, e Suzana Kahn Ribeiro, professora de Engenharia de Transportes da Coppe, revisou o capítulo que trata de Biomassa.

De acordo com o Sumário Executivo que resume o Relatório Especial, o planeta dispõe de um grande potencial de energia que pode ser obtido de fontes renováveis. Essas fontes, segundo o documento, terão um papel crescente na mitigação das emissões de gases causadores da mudança climática e vão fornecer uma fração cada vez maior da energia primária no mundo a partir de 2020. Em 2008, a produção total de energias renováveis no mundo era de 64 dos 492 exajoules gerados por ano (EJ/ano), respondendo por 12,9% do total da energia consumida no planeta. O cenário mais otimista analisado pelo IPCC estima que em 2050 as fontes renováveis poderiam fornecer 77% das necessidades globais, ou seja, 314 dos 407 exajoules.

No mais pessimista, essas fontes atenderiam a 15% da demanda mundial anual de energia de 749 EJ/ano. Sem o uso dessas fontes, as emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis e de outras emissões industriais chegarão a 1.530 Gt em 2050.

O relatório alerta que as projeções devem ser vistas com cautela, porque sua realização depende de muitos fatores, inclusive do comportamento das outras fontes de energia que as renováveis podem substituir. Mas observa que, na maioria dos cenários, está claro que, em 2050, a participação das renováveis no suprimento de energia de baixo carbono será maior que a de outras opções também de baixo carbono, como a energia nuclear e o chamado CCS (captura e sequestro de carbono de combustíveis fósseis, notadamente o carvão).

2050: participação de renováveis precisa ser superior a 50% para conter aquecimento global Embora não tenha projetado um número fixo, o relatório diz que muitos diversos cenários analisados pelos cientistas do IPCC apontam uma participação superior a 50% de energia de fontes renováveis na produção de energia primária em 2050, para se alcançar uma estabilização das emissões de gases de efeito estufa na faixa de 450 ppm (partes por milhão) – meta apontada como necessária para conter o aquecimento global em 20C. O documento também informa que, mesmo na ausência de políticas deliberadas para reduzir as emissões de gases causadores da mudança climática, a tendência é de expansão das energias renováveis no mercado global.

Hoje, as fontes renováveis são responsáveis por 12,9% da oferta de energia primária no mundo. Nada menos que 10,2% correspondem à biomassa, mas, dentro desta, a maior parte (8,1%) se refere ao uso tradicional (e poluente) de lenha para cozinhar, típico dos países em desenvolvimento. As aplicações modernas da biomassa respondem por apenas 2,1% da oferta atual de energia primária, contra os 2,3% da energia hidráulica. As demais fontes renováveis, somadas, respondem por apenas 0,4%.

Mas o relatório do IPCC mostra que a disponibilidade de energias renováveis vem crescendo rapidamente nos últimos anos, graças a políticas governamentais de incentivo em alguns países, à queda de custos de diversas tecnologias e a elevações de preços dos combustíveis fósseis. Em 2009, apesar da crise financeira global, a capacidade instalada de energia proveniente de fontes renováveis continuou a crescer rapidamente. Dos 300 GW acrescentados ao parque gerador de eletricidade entre 2008 e 2009, nada menos que 140 GW vieram de fontes renováveis.

Brasil se antecipa ao futuro – Para Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe e coordenador de um dos capítulos do relatório de energias renováveis do IPCC, o cenário futuro que emerge desse documento já se antecipa, de certa forma, no Brasil – com sua predominância de hidrelétricas na matriz energética, a recente e crescente instalação de usinas eólicas para produção de eletricidade, o amplo uso do etanol como combustível no setor de transportes e a infraestrutura daí decorrente, como os carros flex e os postos de combustíveis adaptados para diferentes tipos de tanques de armazenamento.

O futuro visualizado por Schaeffer, a partir dos dados contidos no estudo do IPCC, é o de um mundo cada vez mais eletrificado, isto é, onde a energia elétrica tenderá a ocupar espaço crescente na matriz energética, e onde os combustíveis líquidos tenderão a ser cada vez mais biocombustíveis. É também um futuro com crescente participação de energia eólica e solar, as quais terão as maiores taxas de crescimento nas próximas décadas, diz ele.

O capítulo 10 do relatório, que avalia de maneira integrada o potencial de mitigação e os custos das seis fontes renováveis estudadas (biomassa, eólica, solar, energia dos oceanos, hidrelétrica e geotérmica), projetando os resultados para um horizonte até 2050, não aponta predominância de uma fonte sobre outra. Apenas indica tendências. Mas Schaeffer afirma que a energia eólica, primeiro, e a solar, em seguida, são as que terão as maiores taxas de penetração na matriz energética mundial nas próximas décadas. “É claro que os biocombustíveis vão continuar crescendo”, diz. Mas, graças à redução de custos e ganhos de escala que já se observam, a energia eólica crescerá mais que todas as demais fontes até 2030. A partir daí, a energia solar começará a ganhar espaço, pois terá alcançado uma escala que a tornará comparável com a eólica.

Schaeffer explica que a preeminência da energia eólica se justifica não apenas pela redução de custos de geração, graças a ganhos de escala e eficiência, mas também ao fato de que essa forma de energia já começa a se mostrar capaz de se integrar bem à rede de transmissão e distribuição de eletricidade. Essa integração costuma ser uma limitação para as formas de energia provenientes de fontes variáveis, e muitas vezes imprevisíveis, como a solar e a eólica, afetadas pelas variações da natureza em curtos espaços de tempo.

A tendência ao aumento da presença da eletricidade nos sistemas energéticos do mundo deverá facilitar ainda mais a penetração da energia eólica e solar. “Hoje, o único mercado cativo para os combustíveis líquidos é o setor de transportes. E, se tudo correr bem, no futuro teremos carros elétricos”, lembra o professor da Coppe. “É claro que nada impede que se gere eletricidade com biomassa, mas suas características são mais apropriadas ao uso como combustível líquido”.

De qualquer forma, diz ele, há incertezas de diversas ordens envolvendo as projeções sobre o comportamento das fontes renováveis de energia. A penetração mais rápida ou mais lenta dessas formas de energia no mercado poderá ser influenciada, por exemplo, pelo comportamento futuro de alternativas não renováveis de baixo carbono, notadamente a energia nuclear e o CCS (captura e sequestro de carbono, um tipo de tecnologia desenhado para mitigar as emissões das instalações que queimam combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão). Se a tecnologia de CCS avançar suficientemente para se tornar competitiva em custos, talvez seja economicamente mais interessante manter em funcionamento as atuais usinas térmicas a carvão, o que poderia retardar algumas das aplicações de energias renováveis na produção de eletricidade.

Quanto à energia nuclear, quando o relatório do IPCC começou a ser produzido, despontava como uma possível alternativa para a geração de energia sem emissão de carbono. Mas, com o recente acidente radioativo em Fukushima, no Japão, o panorama da energia nuclear voltou a ficar nebuloso.

Na biomassa, as limitações do etanol brasileiro – Para Suzana Kahn Ribeiro, professora do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe e uma das vice-presidentes do Grupo de Trabalho do IPCC que produziu o relatório sobre energias renováveis, em todas as análises o etanol de cana-de- açúcar brasileiro apareceu como um grande exemplo. Mas, embora o capítulo que trata de biomassa mostre que esta deverá permanecer como uma das mais importantes fontes de energia renovável na primeira metade deste século, é preciso ter em mente que a pujança da produção brasileira de etanol de cana não é o bastante para que se tenha um mercado pujante de biocombustíveis, capaz de colocar o país como um grande fornecedor internacional.

“Se não houver outros países investindo nisso, não teremos um mercado internacional. O mundo não vai apostar num biocombustível que só pode ser produzido em poucos países. Ninguém vai querer ficar refém do etanol brasileiro”, avisa a professora da Coppe.

O capítulo do relatório do IPCC que trata da biomassa, e que foi revisado por Suzana, mostra a grande variedade de fontes de matérias-primas que podem ser utilizadas para a produção de bioenergia, e que incluem desde produtos alimentícios como cana e oleaginosas, até resíduos agrícolas e pecuários, lixo urbano e, no futuro, a celulose extraída de florestas plantadas com esse objetivo. Segundo o estudo, atualmente 50 EJ/ano de energia já são provenientes das variadas fontes de biomassa e esse valor pode crescer até seis vezes nos próximos 40 anos.

Para que essa previsão se torne realidade, será preciso criar políticas que visem melhorar a eficiência do setor agrícola, investir no desenvolvimento de tecnologias de segunda geração, como a da extração de biocombustíveis de celulose e as biorrefinarias, e desenvolver uma boa governança para lidar com os impactos ambientais e sociais – especialmente no que se refere ao uso do solo, com a instituição de zoneamento e práticas de manejo integrado de cultivos e pecuária. Se isso não for feito, a contribuição que a biomassa poderá dar à mitigação das mudanças climáticas será reduzida e haverá conflitos significativos envolvendo o abastecimento de alimentos, recursos hídricos e biodiversidade.

Cana de açúcar - Em termos econômicos, o capítulo sobre a biomassa avalia que algumas de suas formas já tem preços competitivos no mercado: o etanol de cana no Brasil , alguns sistemas de uso de lixo urbano e alguns fogões mais eficientes que os fogões a lenha tradicionais amplamente utilizados nos países mais pobres. Estima-se ainda que, entre 2020 e 2030, tecnologias mais avançadas – como os biocombustíveis de celulose para substituir gasolina, diesel e combustível de aviação e algumas opções de bioeletricidade e biorrefinarias – também estarão oferecendo energia a preços competitivos com os das opções não renováveis.

Oceanos: Uma oportunidade para o Brasil não perder - As energias dos oceanos são as cercadas por mais incertezas no relatório do IPCC sobre fontes renováveis. As tecnologias para a exploração do potencial energético de ondas, marés, correntes, gradiente térmico e gradiente de salinidade do mar são as menos maduras, em comparação com as outras fontes analisadas. Os estudos sobre o potencial técnico dessas diferentes fontes indicam grande variabilidade. O potencial estimado para extração da energia dos oceanos, por exemplo, varia de 7 a 331 EJ/ano. Devido ao pequeno número de protótipos em operação, ainda não se tem dados relevantes quanto aos custos, impactos ambientais, facilidades e dificuldades de integração com os sistemas de distribuição. Isto porque, com exceção da tecnologia de marés com utilização de barragens, que tem algumas unidades comerciais em funcionamento no mundo, todos os demais desenvolvimentos estão em fase de protótipo pré-comercial.

É exatamente esse quadro de aparente desvantagem para as energias do mar que Segen Estefen, diretor de Inovação da Coppe e coordenador do capítulo que tratou do tema no relatório do IPCC, aponta comouma grande oportunidade estratégica que gostaria de ver o Brasil aproveitando. “Esse é um campo em que o Brasil pode fazer a diferença. Justamente porque a tecnologia ainda não está madura, há uma janela de oportunidade para quem quiser investir e sair na frente, inovando no mercado mundial”, diz Segen. Para ele, com exceção da energia da biomassa, campo em que os brasileiros estão estabelecidos e são reconhecidos, nas demais fontes renováveis – como a eólica e a solar – as possibilidades de avanços tecnológicos de peso são reduzidas. “Essas tecnologias já estão avançadas e o Brasil deverá ser apenas usuário delas, com poucas chances de liderar”, avisa.

Considerando o vasto conhecimento acumulado pelos brasileiros na engenharia offshore para produção de petróleo, área em que o país tem liderança indiscutível, o professor da Coppe considera que o Brasil está em posição privilegiada para se tornar líder na exploração das energias do oceano. Para isso, seria necessário o governo tomar a decisão estratégica de investir para consolidar uma posição de destaque nessas tecnologias.

Segen alerta, porém, que “essa janela de oportunidade só ficará aberta por no máximo 10 anos. Depois disso será tarde”. Grandes empresas internacionais associadas a pequenas e médias empresas de base tecnológica, por exemplo, já estão investindo no desenvolvimento tecnológico para o aproveitamento de energias do oceano. O governo britânico fixou como meta ter em 2020 uma potência instalada de 2 GW, o que significa multiplicar por seis a atual potência instalada no mundo. Canadá, Estados Unidos, Irlanda e Portugal atualmente trabalham na fixação de metas semelhantes.

A Coppe está ultimando a instalação de um protótipo pré-comercial de usina de ondas no porto do Pecém, no Ceará, uma parceria com a empresa Tractebel. Será a primeira da América Latina. Mas Segen gostaria de ver um programa mais ambicioso de desenvolvimento tecnológico na área, envolvendo mais universidades, empresas e diferentes formas de exploração das energias do mar. Estimativas preliminares da Coppe apontam um bom potencial para exploração de ondas em quase todo o litoral brasileiro. Nas regiões Nordeste e Norte, as marés e os gradientes térmicos também têm potenciais relevantes.

A tecnologia para produção de eletricidade a partir de gradientes térmicos ao longo da profundidade dos oceanos consiste em explorar a diferença de temperatura entre a água do fundo do mar, mais fria, e a da superfície, mais quente. A água da superfície é colocada numa câmara de vácuo, onde entra em ebulição, produzindo o vapor que movimenta uma turbina para gerar eletricidade. Em seguida, a água mais fria trazida do fundo do mar condensa o vapor, transformando-o novamente em líquido. Experimentos realizados em outros países esbarraram algumas vezes na dificuldade de trazer para a superfície a água do fundo do mar – tarefa que, segundo Segen, será trivial para quem, como os brasileiros, já extraem petróleo a mais de mil metros de profundidades e terá que ir a profundezas ainda maiores para explorar o pré-sal.

Hidrelétricas: ainda há muito potencial a explorar, mas com limitações sociais e ambientais - Contribuindo atualmente com 16% da energia elétrica produzida no mundo, a hidreletricidade é a principal fonte de energia renovável do setor elétrico. Apesar de tão amplamente explorada, ainda tem um grande potencial de aproveitamento. Segundo o relatório do IPCC, o potencial técnico total para geração de hidreletricidade no mundo é de 52,47 EJ por ano, o que corresponde a uma capacidade instalada de 3.734 GW – quatro vezes a atual capacidade instalada, de 926 GW. A maior parte desse potencial ainda inexplorado está na África, Ásia e América Latina, mas também há aproveitamentos possíveis nos EUA e na Europa.

Segundo Marcos Freitas, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe que participou do relatório do IPCC como um dos autores do capítulo sobre a energia hidrelétrica, o potencial de aproveitamento no Brasil é um dos maiores do planeta, cerca de 250 GW. O país aproveita cerca de 25% desse total. A maior parcela do potencial inexplorado está concentrada na Bacia Amazônia, onde o Brasil detém 100 GW e onde há mais 100 GW pertencentes aos países vizinhos. O total da Bacia Amazônica, diz Marcos, pode representar “um pré-sal renovável, pois equivale a 3 milhões de barris de petróleo por dia”.

Além do vasto potencial ainda passível de exploração no mundo, a hidreletricidade é uma fonte confiável, com tecnologias maduras e preços competitivos. Isso significa que tem um significativo potencial de redução das emissões de carbono para mitigação das mudanças climáticas. Mas o relatório do IPCC alerta que os aspectos ambientais e sociais representarão os principais desafios aos empreendimentos hidrelétricos, se não forem cuidadosamente administrados.

De um lado, o documento lista as principais limitações ambientais e sociais das hidrelétricas – mudança no regime de vazão dos rios e na qualidade da água, barreiras à migração de peixes, perda de biodiversidade e desalojamento de populações humanas, para as quais será preciso investir em inovações tecnológicas que melhorem o desempenho dos empreendimentos. De outro lado, o relatório do IPCC aponta nas usinas hidrelétricas a vantagem de poderem ser utilizadas para mitigar a escassez de água doce e regular os eventos extremos de chuvas e secas que serão mais frequentes com as mudanças climáticas.

Limitações para emprego de renováveis são econômicas e não técnicas – Não há limitações de potencial técnico para o emprego das fontes renováveis. De acordo com o Relatório do IPCC, tecnicamente elas poderiam abastecer, com folga, todas as necessidades atuais de energia do planeta. As limitações são de ordem econômica (custos de geração e distribuição mais altos que os preços de mercado); e, em alguns casos, problemas de ordem ambiental e social – como é o caso de algumas matérias-primas para a produção de biocombustíveis e seus impactos sobre o meio ambiente, a competição com a produção de alimentos e os efeitos da construção de hidrelétricas sobre a biodiversidade e os meios de sustento de grupos humanos locais.

Na área de combustíveis líquidos, a produção de etanol cresceu 10% (7 bilhões de litros) em 2009 e a de biodiesel subiu 9% (2 bilhões de litros). O Brasil e os Estados Unidos responderam, respectivamente, por 54% e 35% da produção global de etanol a partir de biomassa em 2009.

A energia eólica cresceu 32%, adicionando 38 GW ao parque instalado no mundo; as hidrelétricas ganharam mais 31 GW, com um aumento de 3%; a energia solar fotovoltaica para geração de eletricidade cresceu 53% (mais 7 GW); a energia solar para aquecimento de água aumentou 21% (mais 31 GWth) e a energia geotérmica cresceu 4%. Esta última é importante em alguns países onde há potenciais expressivos, como Chile, México, Filipinas, Índia e Estados Unidos e já tem tecnologia comercial disponível.

Quanto à energia dos oceanos, não entra nessa lista porque é a mais incipiente das seis fontes renováveis estudadas no relatório. Com exceção de usinas comerciais de marés, que, somadas, não superam os 300 MW de potência, e uma nova usina que entrou recentemente em operação na Coréia do Sul, com 255 MW de potência, as demais instalações existentes estão em fase pré-comercial.

Conteúdos Relacionados:

  1. Energias renováveis: Brasil em 5º, com US$ 7,8 bilhões

Da Agência Ambiente Energia - Os investimentos em energia sustentável em 2009 chegaram a US$ 162 bilhões, resultado 7% abaixo dos US$ 173 bilhões verificados em 2008, segundo o estudo Tendências Globais de Investimentos em Energia Sustentável 2010

 

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pacto das Nações Unidas já reúne três mil projetos de MDL

Um acordo internacional que canaliza investimentos em tecnologias de energia limpa e redução de gases de efeito estufa em países em desenvolvimento registrou seu projeto de número 3000, segundo informou o secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Trata-se de uma iniciativa de energia eólica na Mongólia Interior, na China.

O projeto, enquadrado sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), da UNFCCC, deverá reduzir em mais de 100 mil toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos gases de efeito estufa que mais contribui para as alterações climáticas geradas pela humanidade. A iniciativa envolverá a instalação de 41 turbinas movidas a vento, capazes de produzir até 49,5 mil megawatts de eletricidade.

“O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ainda está evoluindo e vai continuar a fazê-lo. Mas do conceito original até agora, tem sido um sucesso que vai muito além das expectativas iniciais, não só no número de projetos, mas também na sua capacidade de atrair investimentos do setor privado para a melhoria de comunidades do mundo em desenvolvimento”, destacou a secretária-executiva da UNFCCC, Christiana Figueres.

O MDL foi fundado sobre o princípio de que cada projeto deve proporcionar uma redução real e transparente das emissões de carbono, de forma que contribua para o desenvolvimento sustentável. Cerca de 71 países (entre eles o Brasil) têm projetos do MDL. Além dos três mil registrados até agora, existem cerca de 2.600 outros projetos em vários estágios do processo de habilitação.

No âmbito do MDL, os projetos que reduzem emissões de gases de efeito estufa e contribuem para o desenvolvimento sustentável podem levar à emissão de créditos comercializáveis – os chamados certificados de redução emissões, ou RCE. Cada RCE equivale a uma tonelada de CO2. Até o momento, 1.039 projetos receberam um total de mais de 600 milhões de créditos de RCE, de acordo com a UNFCCC.

 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

MORTE E VIDA NAS FAVELAS

Como as práticas do crime organizado e a violência atingem crianças e jovens pobres.

A redução da explicação da criminalidade violenta à pobreza e desigualdade impede um entendimento mais complexo da questão. As interconexões entre a economia legal e a ilegal nos tráficos é também pouco acionada nas teorias necessárias para políticas públicas mais eficazes e democráticas. A disseminação das práticas do crime organizado, longe de se restringirem ao tráfico de drogas ilegais, inclui o tráfico de armas, de crianças e de mulheres, à corrupção.

Tampouco permite analisar os efeitos inesperados da violência que aumenta o sofrimento dos pobres. Isso na medida em que os obriga a viver entre tiranias – a dos traficantes e a das polícias – e limita seu ir e vir, sua liberdade de expressão na vizinhança, além de tornar vulneráveis os jovens carentes. O acesso aos serviços e instituições do Estado – escolas, postos de saúde, quadras de esporte e vilas olímpicas – ficou restrito também para os profissionais que atendiam a população.

Nas favelas e bairros pobres adjacentes das grandes cidades brasileiras o policiamento é precário, a investigação, muitas vezes inexiste, diferentemente do que acontece nos bairros mais ricos da cidade. Este é um elemento importante na equação que vai explicar a existência de pontos quentes de crimes violentos, especialmente o homicídio, um crime quase nunca investigado nas áreas onde há favelas dominadas por traficantes. Além da vulnerabilidade que a pobreza cria, a rede de relações sociais e de proteção institucional do sistema de justiça tem enormes falhas em tais locais.

Em São Paulo, uma pesquisa apontou o homicídio como crime de pobres contra pobres. As autoras ressaltaram dois aspectos: 46,3% dos bairros visitados, todos nas zonas mais carentes da cidade, não contavam com ronda policial; a maior parte dos casos decorria de conflitos banais na periferia que poderiam ser evitados com políticas públicas que criassem formas de mediação na vizinhança ou na família. Por fim, a maior parte das vítimas teve morte anunciada e seus familiares sabiam do destino por terem elas vinculações com traficantes de drogas ilegais, seja como usuários contumazes, seja por participação em outros crimes.

No Rio de Janeiro, estimativas demográficas indiretas, a partir de dados censitários de 2000, permitiram a comparação entre diferentes regiões administrativas (RA) da cidade, entre as quais figuram as cinco mais populosas favelas em diferentes zonas da cidade. Por meio delas é possível identificar as regiões de maior risco de mortes violentas, estimando a probabilidade de se morrer jovem, antes dos 30 anos para quem sobreviveu até os 15, visto que nesta faixa de idade 80% das mortes são violentas.

As diferenças entre as RAs são significativas: na Lagoa, bairro de alta renda familiar, 3,1 entre os mil sobreviventes até os 15 anos não completaram 30; no Complexo do Alemão, conjunto de favelas com o menor IDH da cidade, 12,9 entre mil morrem antes dos 30. As outras três RAs com maior proporção de jovens que não chegam aos 30 são favelas dominadas por traficantes: Jacarezinho (10), Maré (9), Rocinha (9) e Cidade de Deus (6).

Quando inseridas no mapa da cidade, quatro das RAs, onde o risco de morrer jovem é maior, estão localizadas nos subúrbios, perto da Baía de Guanabara e dos aeroportos e portos, aonde chegam navios e aviões, assim como ao longo da Avenida Brasil, por onde passa o transporte rodoviário que liga o Rio de Janeiro a outros Estados e aos países produtores de drogas ilegais.

Segundo dados da pesquisa domiciliar de vitimização, realizada em 2006 pelo Nupevi, a Polícia Militar era mais violenta e menos presente nas favelas e nos bairros pobres dos subúrbios, onde estão as RAs que exibiram maior risco de morte antes dos 30 anos. A PM disparava dez vezes mais tiros nas favelas do que no asfalto. O barulho de tiros, por outro lado, era ouvido por 60% dos entrevistados nos subúrbios, 65% no centro, mas por 30% na média da cidade.

Convivência e guerra

Essa pesquisa de vitimização também revelou o paradoxo da cidade: nas áreas mais pobres, onde a violência grassava, a boa convivência entre vizinhos, marca da cultura suburbana, era maior. Essa boa convivência, assim considerada pelos entrevistados, apresentava proporções mais altas nas áreas em que vivem os pobres: centro (52%), subúrbios (39%) e zona Oeste 36%, enquanto em zonas ricas da cidade era a metade: 20%.

Descrição: 163 300x202 Morte e vida nas favelasMais isolados internamente e alvo de desconfiança e medo dos seus vizinhos prósperos, bairros e favelas onde moram os pobres, embora tenham historicamente contado com grande capacidade organizativa, que se concretizou nas escolas de samba, blocos de carnaval, times de futebol e associações de moradores, não contam hoje com os serviços públicos de qualidade na saúde e na educação. E enfrentam os efeitos desastrosos da falta de policiamento, com incursões eventuais e violentas de forças policiais que não se guiam pelas normas legais.

Sem contar com os controles informais, enfraquecidos pela militarização dos traficantes, nem com a mediação de conflitos entre esses últimos, sempre disputando o controle dos pontos de venda e de domínio local, o poder policial entrava em áreas já conflagradas pelo conflito armado. Em círculo vicioso, esta situação só fazia reforçar as práticas policiais baseadas no abuso de poder e na perspectiva da “guerra contra os inimigos internos” estabelecidas nas últimas décadas. Mas a polícia não deveria fazer guerra contra cidadãos trabalhadores, crianças, idosos, jovens estudantes e donas de casa, nem até mesmo contra suspeitos de praticarem crimes. A ideia da guerra contra outro poder armado “paralelo”, com alta capacidade de corromper, dificultou a adesão às normas legais que precisariam orientar a ação policial.

No Rio de Janeiro, as armas de fogo são mais facilmente obtidas por causa dos portos e vários aeroportos, assim como os mais importantes depósitos de armamentos das Forças Armadas que estão dentro do seu território. Muitos furtos ocorreram em tais depósitos. Contrabandistas e policiais corruptos também forneciam armas às quadrilhas. O tráfico se militarizou. O uso de armas de fogo pelos traficantes se explica pela lógica da guerra: competidores se tornam inimigos mortais que precisam ser dissuadidos pelo aumento progressivo do arsenal de armas e homens da quadrilha.

Os comandos passaram a disputar violentamente o território onde controlavam os negócios, a proibir os moradores de áreas dominadas de cruzar o seu perímetro, até mesmo para visitar amigos ou parentes. Por isso, favelados, desses bairros, falavam de uma “guerra sem fim” que opunha traficantes de comandos inimigos ou policiais contra traficantes. Na guerra, não somente os quadrilheiros, mas também os jovens que viviam em favelas amigas, eram obrigados a ajudar cada vez que os opositores atacavam qualquer favela do mesmo comando. Os “soldados” ou “falcões” formavam então um “bonde”, que responderia ao ataque de outro “bonde”, constituído da mesma maneira. Por isso, os vizinhos não tinham permissão de cruzar as fronteiras entre as favelas inimigas. Homens foram mortos porque passaram de um setor a outro dominado por redes beligerantes do tráfico. Mesmo para trabalhar, mesmo para se divertir no baile. Mulheres foram mortas por ousarem namorar homens de favelas “inimigas”.

Etos guerreiro

Adolescentes morreram não apenas em conflitos pelo controle dos pontos comerciais, mas igualmente por ameaças à sua reputação. Jovens ensaiando afirmar sua masculinidade no qual o orgulho não se origina da gentileza e outras posturas civilizadas, mas da disposição de destruir o adversário, passaram a se identificar com o comando como se este fosse sua pátria, defendida até a morte. Absorveram o etos guerreiro que visa à destruição física do rival, tornado inimigo mortal, por isso chamado de “alemão”. Passou a vigorar o contágio de práticas da violência para fora da rede do tráfico. Jovens passaram a andar armados para se proteger de outros jovens armados; juntaram-se a quadrilhas por crer que assim contariam com sua proteção militar, jurídica e pessoal; prepararam-se para a guerra, aprenderam a ser crueis e a matar sem hesitação outros jovens pobres como eles, mas “alemães”.

Tal etos guerreiro, ou de excesso na masculinidade destrutiva, ao qual os jovens das quadrilhas aderem, impregna o lugar onde os meninos crescem. Pois era nas ruas que eles eram socializados para as práticas violentas. Ao adotar seus códigos, eles procuravam conquistar a consideração e aceitação dos membros da quadrilha. Assim se tornaram conformistas e perderam a autonomia, vindo a ser chamados de teleguiados pelos demais moradores. Assim foram progressivamente preparados para matar impiedosamente seus inimigos. Nesse processo, foram sendo anestesiados para o sofrimento infligido aos outros.
Alguns achavam que tal contexto social era composição natural e eterna das localidades pobres. Não era. Desmantelar as fortalezas de traficantes e interromper o fluxo de armas para a cidade são as primeiras medidas. Mas é preciso continuar a desfazer os círculos viciosos aqui analisados.

Tudo indica que melhorar a qualidade de atendimento na escola básica, além de educar para a civilidade, seja a saída para anular o retrocesso civilizatório que enfrentamos. No Brasil, não é o caso, como nos países onde exércitos mobilizam crianças e adolescentes, de trazer a criança de volta à escola, à família, à vizinhança, deixando de ser soldados. Trata-se de melhorar a escola de modo que não se tornem defasados no estudo e acabem evadindo-se dela.

O ponto central é, portanto, diminuir o contingente de jovens pobres que não trabalham nem estudam, que vagam pelas ruas, que reforçam as hostes dos que procuram as quadrilhas para se sentirem protegidos e encontrarem fontes de poder, dinheiro e aceitação de seus pares. Ensinar, sobretudo, o respeito aos outros – concidadãos, professores, familiares, vizinhos, colegas –, a competir sem querer ganhar de qualquer maneira.

Mesmo assim, projetos baseados na vizinhança, em que moradores adultos arranjam atividades para acompanhar e socializar as crianças e adolescentes em situação vulnerável, não podem ser descartados. As escolas de samba, os blocos de carnaval e as escolinhas de esporte devem ser apoiadas, tanto quanto os novos projetos que desenvolvem identidades ou estilos juvenis globalizados, como os do hip-hop. Muitos moradores de bairros pobres e favelas, adultos, já estão mobilizados para interagir com os jovens de suas famílias e vizinhanças, mas faltam-lhes apoio público e reconhecimento.

Como o trauma resultante das experiências de violência é coletivo, estas iniciativas são mais exitosas em atrair os jovens e iniciar diálogo com eles do que programas que focam no indivíduo. Neles, as famílias dos jovens podem também ser envolvidas e passar a participar do seu crescimento. As formas de associação vicinal implantadas na cidade têm exatamente esse espírito e constituíram, portanto, veículos importantes para se chegar aos jovens desgarrados e prepará-los para a vida adulta.

Por fim, os projetos têm de incluir o objetivo de reduzir o acesso e a posse de armas de fogo pelos jovens, pois é isso que os mata. As armas que portam vêm, pelo menos desde o fim dos anos 1970, de depósitos das Forças Armadas, do contrabando, dos estoques das Polícias Militares e também dos poucos que guardam armas em casa ou andam armados na rua. Primeiramente, é preciso, pois, estancar esse fluxo que parte dos depósitos militares e das fronteiras do país.

Educar para a civilidade significa também prepará-los para exercer os direitos e deveres da cidadania, ensinando-lhes, inclusive, como proceder quando sofrem abusos e intimidações.

* Matéria é parte integrante do suplemento Carta na Escola.

** Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.

(Carta Capital)

 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

PERÚ ES EL CUARTO MAYOR RECEPTOR DE INVERSIÓN EXTRANJERA EN AMÉRICA LATINA CON US$ 7,328 MILLONES EN EL 2010

 

·         Lima, may. 04 (ANDINA). Perú es el cuarto mayor receptor de inversión extranjera directa (IED) en América Latina al haber sumado 7,328 millones de dólares en el 2010, manifestó hoy la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal).

“Entre los factores que posibilitaron el crecimiento en la recepción de IED durante el año pasado figuran el mejor desempeño de las economías desarrolladas y el dinamismo de ciertas economías emergentes que impulsaron algunos sectores por aumentos en la demanda”, señaló.

Según el informe La inversión extranjera directa en América Latina y el Caribe 2010, el mayor receptor en la región es Brasil, país en el que las entradas de IED tuvieron un aumento récord de 87 por ciento, pasando de 25,949 millones de dólares en el 2009 a 48,462 millones en el 2010.

El segundo país receptor es México (17,726 millones de dólares), seguido de Chile (15,095 millones), Perú (7,328 millones), Colombia (6,760 millones) y Argentina (6,193 millones).

Asimismo, Estados Unidos sigue siendo el principal inversionista en la región, responsable del 17 por ciento de la IED recibida el año pasado, seguido de Países Bajos (13 por ciento), China (nueve por ciento) y Canadá y España (cada uno con cuatro por ciento).

La decimotercera versión del informe de la Cepal destaca especialmente la irrupción de China.

En el 2010 las empresas chinas invirtieron cerca de 15,000 millones de dólares en países latinoamericanos y caribeños, básicamente a través de fusiones y adquisiciones.

Más del 90 por ciento de las inversiones chinas confirmadas en América Latina se han dirigido a la extracción de recursos naturales y a mediano plazo se espera que las empresas transnacionales de ese país sigan llegando a la región y que se diversifiquen hacia los sectores de infraestructura y manufacturas.

La Cepal subrayó que los flujos están reforzando la especialización productiva de la región.

En América del Sur los sectores con mayor recepción en el 2010 son recursos naturales (43 por ciento) y servicios (30 por ciento) y, en comparación con el período 2005 - 2009 se observa un aumento del peso de los sectores primarios en las inversiones.

En México, América Central y el Caribe las inversiones continúan llegando principalmente a manufacturas (54 por ciento) y servicios (41 por ciento).

La participación de América Latina y el Caribe como destino de inversiones con alto contenido tecnológico es aún reducida en comparación con otras regiones, aunque se observa un incremento de proyectos de IED en sectores de tecnología media-alta y asociados a investigación y desarrollo.

Además, indicó que la región donde más creció el porcentaje de recepción y emisión de IED en el mundo durante el 2010 es América Latina y el Caribe.

El año pasado los ingresos de IED a la región aumentaron 40 por ciento respecto al 2009, alcanzando 112,634 millones de dólares, mientras que los egresos casi se cuadriplicaron en el mismo período totalizando la cifra histórica de 43,108 millones de dólares, lo que pone de relieve el gran dinamismo de las empresas transnacionales latinoamericanas y caribeñas, conocidas como translatinas.

Para el 2011 se espera que los flujos de IED hacia América Latina y el Caribe mantengan la misma tendencia, aumentando entre 15 y 25 por ciento, con lo que podrían alcanzar un nuevo récord histórico.

"Las cifras que presentamos dan cuenta de la creciente inserción de América Latina y el Caribe en el proceso de globalización económica”, indicó la secretaria ejecutiva de la Cepal, Alicia Bárcena.

Los países de la región no sólo siguen siendo atractivos para los inversionistas extranjeros sino que también se están atreviendo cada vez más a conquistar otros mercados a través de las translatinas", subrayó.

Fuente: (FIN) DCT/JPC

 

domingo, 1 de maio de 2011

ACORDO DO PACÍFICO - PERU LIDERA UM DOS MAIS IMPORTANTES PACTOS DE LIVRE COMERCIO QUE IRÃO CRIAR UM NOVO E ESTRATÉGICO BLOCO ECONOMICO NA AMERICA LATINA

Com mais um acordo de livre comércio, desta vez entre México, Chile, Colômbia e Peru, avança a integração econômica das Américas numa direção rejeitada pelo Brasil a partir de 2003

 

Com mais um acordo de livre comércio, desta vez entre México, Chile, Colômbia e Peru, avança a integração econômica das Américas numa direção rejeitada pelo Brasil a partir de 2003, quando a diplomacia nacional desenterrou o terceiro-mundismo. Três desses quatro países já têm acordos com os Estados Unidos. O quarto, a Colômbia, concluiu as negociações, mas falta a sanção do Congresso americano, emperrada por motivos políticos.

 

Apesar disso, o intercâmbio colombiano com os Estados Unidos é bem maior do que o seu comércio com o Brasil.

 

O novo pacto, batizado como Acordo do Pacífico, formará um mercado maior que o brasileiro, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. O presidente mexicano, Felipe Calderón, foi um pouco mais audacioso: começou a ser formada, segundo ele, a maior zona comercial da América Latina. Por enquanto, essas avaliações são meramente retóricas, até porque o comércio entre os quatro sócios do novo clube é menor do que seu intercâmbio com o Brasil.

 

Segundo informação do governo peruano, as trocas entre os quatro movimentaram no ano passado US$ 6 bilhões. O valor chegará a US$ 9 bilhões, estimou Calderón.

 

No ano passado, a corrente de comércio do Brasil com esses países totalizou US$ 22,15 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O Brasil exportou US$ 12,19 bilhões e teve um pequeno superávit comercial, US$ 2,19 bilhões. A nova zona de livre comércio ainda terá de crescer muito, portanto, para gerar entre seus sócios um comércio tão grande quanto o mantido com o Brasil.

 

Mas seria um erro avaliar esse acordo apenas com base nesses números. Por ser membro do Mercosul, formalmente uma união aduaneira, o Brasil não pode negociar com o México um acordo de livre comércio. Os governos brasileiro e mexicano têm assinado acordos mais limitados. Na retórica, os dois lados têm definido objetivos mais ambiciosos, com a inclusão de maior número de produtos na pauta de intercâmbio. Mas as conversações têm avançado lentamente. Enquanto não se avança, outros países vão ocupando espaços no mercado mexicano, um dos maiores das Américas. No sentido oposto, a multiplicação de acordos entre sul-americanos e as potências da América do Norte tende a anular as vantagens concedidas até agora ao Brasil pelos países da vizinhança.

 

O Acordo do Pacífico, no entanto, tende a produzir consequências mais amplas em termos de integração hemisférica. Os Estados Unidos são um parceiro comercial muito mais importante do que o Brasil para todos esses países. No ano passado, os produtores americanos exportaram US$ 12 bilhões para a Colômbia, US$ 10,87 bilhões para o Chile, US$ 6,75 bilhões para o Peru e US$ 163 bilhões para o México. Os Estados Unidos importaram de cada um desses países US$ 15,65 bilhões, US$ 7 bilhões, US$ 5,09 bilhões e US$ 229,65 bilhões, respectivamente. Em todos os casos, acordos comerciais foram importantíssimos para a formação desse enorme volume de trocas.

 

Os Estados Unidos têm acordos de livre comércio com 17 países. Nove são latino-americanos e o presidente Barack Obama continua trabalhando pela aprovação dos tratados com a Colômbia e com o Panamá. O acerto com a Coreia continua na dependência do Congresso. Enquanto isso, a Casa Branca discute a liberalização do intercâmbio com vários países do Pacífico.

 

Nas Américas, portanto, acordos entre países já vinculados aos Estados Unidos por meio de pactos de livre comércio fazem avançar a integração. A diplomacia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou para liquidar o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas seu terceiro-mundismo - ou antiamericanismo - não contaminou os governos mais pragmáticos da região. Além disso, o governo americano discute acertos comerciais também fora das Américas. Alguns dos acordos negociados ou em discussão envolvem economias altamente competitivas, como a Coreia. Cada acordo oferece a países concorrentes do Brasil facilidades de acesso ao mercado mais importante do mundo. E ainda há quem considere uma grande façanha a liquidação da Alca.

 

fonte: http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=32198&idcontato=5579&origem=fiqueatento&nomeCliente=CNA&data=2011-05-01