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quinta-feira, 28 de junho de 2012

CENTRO RIO+20 JÁ ESTÁ PRONTO PARA OPERAR

O novo Centro Rio+20 – Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável , cuja criação foi anunciada durante a Rio+20, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já está pronto para operar. O Centro, uma parceria do governo brasileiro, o PNUD, outras agências da ONU, é um dos legados mais importantes da Rio+ 20 e ficará sediado na Coppe/UFRJ. Segundo Luiz Pinguelli Rosa, diretor da instituição, as instalações já estão disponíveis para o início das atividades.

 

“Estamos cedendo um andar inteiro de um dos nossos prédios, onde também funciona o Instituto Verde, uma parceria da Coppe com o Pnuma. Este novo Centro é muito importante para o desdobramento das ações da Rio+20 e por isso é tão relevante que ele já esteja pronto para iniciar os trabalhos”, explicou Pinguelli.

 

Também participam do Centro Rio+20 representantes nacionais e internacionais de universidades, empresas e sociedade civil. O novo centro vai facilitar a pesquisa e o intercâmbio de conhecimentos, além de promover o debate internacional sobre desenvolvimento sustentável. Para seu lançamento, o Centro Rio+ 20 conta com o apoio inicial de quase 25 instituições brasileiras e internacionais, o que demonstra o sucesso alcançado pela iniciativa, bem como a natureza inclusiva e participativa de sua concepção.

 

A Coppe integra o Conselho do novo Centro e, na avaliação de Pinguelli, irá colaborar com uma visão de inovação e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. “Este centro é uma obra conjunta, em que participam diversos parceiros. A riqueza está justamente nessas contribuições variadas que cada instituição pode oferecer”, acrescentou.

 

Desde o início de seu funcionamento, o Centro Rio+20 dará continuidade às discussões iniciadas pelos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável (www.riodialogues.com). Os Diálogos foram lançados pelo governo brasileiro, com o apoio do PNUD, no período que antecedeu a Rio+20 como uma forma de garantir a participação ativa da sociedade civil e de especialistas em todo o mundo.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis do Brasil, MNCR fazem declaração de "não à incineração no documento do Rio+20"

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis do Brasil, MNCR - Declaração não à incineração no documento do Rio+20

 

Rede Latino-americana e do Caribe de Recicladores - REDLACRE

 

Aliança Global para Alternativas à Incineracão, GAIA

 

Enfrentamos a Rio+20 com a preocupação pelo curso que têm tomado as negociações oficiais nas Nações Unidas e as políticas impulsionadas pelos governos nas matérias ambientais, especificamente  no âmbito dos resíduos. Ao mesmo tempo, vemos com esperança o avanço de alternativas justas e sustentáveis impulsionadas pelas comunidades, os movimentos sociais e os catadores do mundo.

 

No dia 18 de junho de 2012, a Conferencia do Rio+20 produziu um texto em que se reconhece a importância de considerar os ciclos de vida dos produtos, e da necessidade de desenvolver políticas para uma maior eficiência energética e uma gestão de resíduos que prioriza a redução, o reuso e a  reciclagem. Mas o texto também defende igualmente a revalorização energética dos resíduos, uma frase que tipicamente se refere a tecnologias de destino final como a incineração e os aterros sanitários.  (ponto 220, texto 16 junho 17.45h, Rio de Janeiro).

 

Estas tecnologias são incompatíveis com uma gestão de resíduos sustentáveis porque não estão inspiradas em uma economia que cuida dos recursos e valoriza o bem estar das comunidades. Também, a produção de energia dos resíduos é uma promessa falsa, porque se conserva muito mais energia através da reciclagem e a redução do uso de materiais tóxicos e de baixa qualidade.

 

Como catadores de materiais recicláveis e organizações de base preocupados pela saúde humana e ambiental, demandamos a aprovação de um texto que tenha uma visão que promove a aplicação de políticas que priorizam soluções locais e que criam empregos sustentáveis para a comunidade, longe de favorecer as grandes corporações com soluções tecnológicas orientadas a falsas soluções como enterramento e incineração dos resíduos. O apoio a incineradores e soluções de destino final em geral, através de subsídios, mecanismos de carbono, etc., não é nada mais do que a aplicação de tecnologias caras, ineficientes e altamente perigosas para a saúde humana.

                                                                                             

O futuro que queremos é um futuro livre de incineradores e aterros/lixões, um futuro em que todo o que pedimos à natureza devolvemos, e em que as comunidades e os catadores sejam os principais responsáveis por este trabalho.

www.mncr.org.br www.redrecicladores.net www.no-burn.org

 

Apoiam:
Salud sin Daño
Amigos de la Tierra El Salvador (CESTA)
Women International for a Common Future (WICF)
Amigos da Terra Àfrica do Sul (groundWork)
IPEN – um futuro livre de tóxicos
Sistema de Agua Potable de Tecámac, Estado de México, A.C.
APROMAC – Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte,
TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental
AMAR – Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária
CAPA (Centro de Atención Primaria Ambiental) de Marcos Juárez, Córdoba
CAT , COMITE AMBIENTAL DE TONACATEPEQUE El Salvador,
Ciudad Saludable (Perú),
Ecositio (Argentina),
Consultoría Técnica Comunitaria AC (México)
BIOS (Argentina)
Movimiento Avance Santo Domingo (Costa Rica),
Taller de Comunicación Ambiental (Argentina),
Gibsons Recycling, British Columbia, Canada
DurhamCLEAR, Canada
Durham Environment Watch (DEW), Canada
Biomass Accountability Project, USA
East Michigan Environmental Action Council (EMEAC), USA
JA! Justiça Ambiental – Friends of the Earth Mozambique
Institute for Zero Waste in Africa, South Africa (IZWA)
Earthlife Africa Cape Town, South Africa
Communities Against Toxics UK
Mother Earth Foundation – Philippines
Marie Marciano, Saniblakas ng mga Aktibong Lingkod ng Inang Kalikasan – Philippines
Sanjay K Gupta (Ph D), Advisor and Consultant in Water, Sanitation and Livelihood, New Delhi – India
Grassroots Recycling Network, USA
Eco-Accord, Russia
Zero Waste Italy Network
Center for Environmental Solutions (CES), Belarus
Susan Hubbard, President & CEO, Nothing Left to Waste
Eureka  Recycling, USA
International Indian Treaty Council, USA
Bruce Trask, Director, Zero Waste Education, New Zealand
Consultoría Técnica Comunitaria AC – Chihuahua, México
Biofuelwatch
Ecological Alert and Recovery-Thailand (EARTH)
National Toxics Network, Australia
Armenian Women for Health and Healthy Environment, Armenia

terça-feira, 26 de junho de 2012

IGNACY SACHS SUGERE AS BASES PARA UM NOVO CONTRATO SOCIAL

No evento de lançamento do projeto “Novo Contrato Social para o Século XXI”, organizado pelo Instituto Ethos e o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR), participaram Rajendra Pachauri, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2007; o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para mudança do clima e para a Rio+20; Achim Steiner, secretário adjunto da ONU e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente; Carlos Lopes, diretor executivo da UNITAR, e Ignacy Sachs, economista e sociólogo.

 

Sachs deu um ‘Viva à crise’, justificando que ela nos ajuda a mudar de rumo, papel que a Rio+20 deveria fazer.

Se referindo à tese de Adam Smith sobre o funcionamento do mercado, ele disse não acreditar muito na ‘mão invisível’, porém que o maior problema é saber o que fazer com os cinco dedos da “mão visível”.

 

O primeiro dedo, seria a construção de um futuro baseado em um contrato social explícito, no nível de cada pais, com a ambição de construir também um “mega contrato social planetário”, utilizando as Nações Unidas para costurá-lo e levá-lo em frente.

 

“Isto implica em superar as diferenças sociais abissais que permanecem hoje na maioria dos países, o que separa hoje alguns países mais avançados de outros que estão na base da pirâmide. Superar estas diferenças abissais, este é o nosso objetivo”.

 

Para Sachs, o segundo dedo seria o planejamento participativo, com o objetivo principal de “fazer com que os que estão embaixo da pirâmide possam ser erguidos a um nível que lhes assegure uma vida decente”.

 

“Os mercados têm a vista curta e a pele grossa, preocupam-se com o imediato e não contabilizam os custos sociais. Precisamos pautar as nossas ações numa visão de longo prazo para evitar catástrofes”, ressaltou.

 

O terceiro seria a segurança alimentar remetendo à necessidade de se colocar em pauta a questão das reformas agrárias e considerar também a revolução azul, a da água.

 

A segurança energética seria o quarto pilar para um planejamento com condições de propor soluções validas, notou Sachs, citando a necessidade de uma estratégia gradual de saída das energias fósseis e mantendo distância do uso excessivo da energia nuclear. “O que nos remete a um enorme capitulo de energias renováveis”, conclui.

 

O quinto dedo seria a cooperação internacional. Sachs sugere soluções para o financiamento de um fundo para ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, como o repasse de 1% do PIB dos países ricos, impostos sobre as emissões de dióxido de carbono e taxas sobre o uso do espaço aéreo e marinho para o transporte. Outra medida seria reorganizar a cooperação técnica, “utilizando a geografia dos biomas, estabelecendo uma cooperação entre países que compartem o mesmo bioma”.

 

Alinhado com as discussões realizadas na Cúpula dos Povos, Sachs conclui que “não são novas formas que devemos procurar e sim novos conteúdos”.

“É perigo pintar de verde e dizer que mudou, esse debate deve focar nos conteúdos por que pode haver formas plurais de chegar ao mesmo resultado…Temos q propor linhas de ação e olhar se tem mudança de conteúdo e não só declaração de amor a natureza”, alertou.

Após Sachs focar parte das suas propostas na redução das desigualdades, Carlos Lopes também enfatizou que no mundo atual este de fato é um dos maiores problemas.

 

Rio +20

 

O debate para um novo contrato social foi programado para o sábado, propositalmente posterior ao término da Rio+20 para poder ser construído a partir de suas bases.

 

Em uma avaliação crítica dos resultados da conferência no Rio, Achim Steiner comparou o documento final a um livro de culinária com muitos ingredientes, mas sem receitas completas.

 

“A declaração tem muitos ingredientes, mas, em várias questões que aborda, seu ‘modo de fazer’ deixa a desejar”, afirmou, acrescentando: “Ainda assim, como nos livros de receita, o documento tem informações suficientes para colocarmos a mão na massa e continuarmos a busca por um novo contrato social, um novo modelo de desenvolvimento”.

 

Carlos Lopes demonstra um ponto de vista mais otimista calcando no fato que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, cujo prazo é 2015, foram negociados durante anos para, finalmente, se ter dois parágrafos adotados em 2010 em Johanesburgo e apesar disso, enfatiza, muito já se fez para o seu alcance.

“Não fico admirado do progresso não ser assim tão rápido quanto queremos”, conclui Lopes.

 

Para Pachauri, a dificuldade em progredir não está na aceitação de nas novas ideais, mas sim em fugir das velhas.

 

“Chegou a hora do conhecimento se tornar o maior indutor das ações”, ressaltou concordando com a proposta de Sachs de se criar uma taxa pelo uso dos bem globais comuns. “A herança é de todos, mas parece não pertencer a ninguém”, lamentou.

Durante as discussões finais, Oded Grajew, fundador da Abrinq, do Instituto Ethos e do Movimento Nossa São Paulo, constatou que outro grande entrave está na desconfiança da sociedade em relação aos governos.

 

“Há um ceticismo muito grande das relações entre governos, um exemplo é que dos cinco membros permanentes do conselho de segurança da ONU, apenas um dos presidentes esteve aqui (no Rio). A primeira ministra da Alemanha estava vibrando no futebol enquanto isso”, criticou.

 

Ele reenfatizou que o debate fundamental na construção de um novo contrato social é o combate a desigualdade, pois apenas à pobreza “é insuficiente”.

“Mesmo em países onde não há pobreza há conflitos. Para sermos seres com convicções parecidas é importante um novo contrato”, comentou. Além disso, este processo tem que ser resolvido sem violência, completa Grajew.

 

“Os cinco membros permanentes do conselho de segurança da ONU são os grandes vendedores de armas do mundo”, alerta.

 

O ultimo fator importante em seu ponto de vista seria o fator intergeracional, ou seja, deixar um mundo melhor para as futuras gerações.

 

“Os governo não representam mais as pessoas e sim os interesses de quem tem mais poder. Se o contrato de 92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, também no Rio de Janeiro) for pra ser ratificado, que até agora não foi, precisamos de um movimento civil, a sociedade precisa ser reintegrada no processo”, concluiu. (Instituto CarbonoBrasil)

 

REÚSO DE ÁGUA EMPREGADA NO PROCESSAMENTO DE CAFÉ SERÁ APRESENTADA A CAFEICULTORES

REÚSO DE ÁGUA EMPREGADA NO PROCESSAMENTO DE CAFÉ SERÁ APRESENTADA A CAFEICULTORES

Entre as vantagens do sistema, estão a economia de 90% do consumo de água; o baixo custo para instalação e manutenção, viabilizando a adoção por pequenos produtores e a preservação do meio ambiente. leia mais

As diretrizes para a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I)

A adoção de um sistema de gestão da PD&I deve ser considerada como uma decisão estratégica da organização. leia mais

Depois da Rio+20

Habilidades são a chave para o desenvolvimento sustentável em tempos de mudança global. leia mais

Inventários

Empresas com ações na Bolsa de Londres serão obrigadas a divulgar emissões (TN Sustentavel)

 

Rio+20 - Economia verde

Ministros das finanças dos países do G20 discutem os meios para garantir desenvolvimento sustentável

segunda-feira, 25 de junho de 2012

LIBRO SOBRE LA SITUACIÓN ACTUAL DE LOS GLACIARES

Glaciares Andinos, recursos hídricos y cambio climático: los desafíos para la Justicia Climática en el Cono Sur

 

Es el nombre del libro presentado este viernes 22 de junio por la ONG Programa Conosur Sustentable en el Pabellón de Montañas, en Río de Janeiro, como parte de las actividades de la Cumbre Río+20.

“Los glaciares son las primeras víctimas del cambio climático y por eso es necesario conocer y documentar lo que está sucediendo”, dijo Alejandra Flores, de la Fundación Solón de Bolivia quien participó de la presentación.

Un ejemplo es lo que viene ocurriendo en Bolivia, donde la montaña Chacaltalla, una de las más alta del mundo para esquiar, se quedó sin nieve, y el glaciar Mururata ha perdido el 20.13% de su superficie desde 1956 hasta el 2008.

Esta realidad la comparten otros países del cono sur como Chile, Perú y Argentina, donde el incremento de la temperatura, la reducción de las lluvias y el cambio climático en general han provocado el derretimiento de glaciares andinos.

El objetivo de la publicación es contribuir a la discusión sobre el rápido retroceso y destrucción de los glaciares existentes en los países andinos del cono sur, como consecuencia del cambio climático y la minería, y de esta manera promover la generación de políticas públicas para proteger estas reservas de agua.

Descargue el libro completo AQUI

 

 

APROPOSTA DE UMA ECONOMIA VERDE PODE SER UMA ERRADA?

A omissão dos direitos reprodutivos é um passo atrás em relação a acordos anteriores”, declarou Gro Harlem Brundtland. Foto: UN Photo/Mark Garten

 

Rio de Janeiro, Brasil, 25/6/2012 (TerraViva) – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, terminou com ganhadores e perdedores, mas principalmente com perdedores. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Brasil, junto com as grandes empresas, deram um giro positivo no resultado da Conferência, realizada 20 anos depois da Cúpula da Terra.

 

Seu resultado foi um novo documento histórico que mudará o mundo, segundo afirmaram. No entanto, a maioria dos representantes da sociedade civil e feministas expressaram sua desilusão e indignação pelo texto final, intitulado O Futuro que Queremos, aprovado no dia 22 pelos líderes mundiais. A comparação com a Agenda 21, aprovada em 1992, foi inevitável.

 

Anita Nayar, da organização Alternativas de Desenvolvimento com Mulheres para uma Nova Era (Dawn), com sede em Manila, disse à IPS que no acordo histórico adotado em 1992 houve cerca de 170 referências às questões de gênero em um capítulo inteiro sobre as mulheres. No documento O Futuro que Queremos há apenas umas 50, e estas foram atenuadas e usadas como elementos de negociação por parte dos Estados, ressaltou.

 

“Tampouco é um simples assunto de menções a temas de gênero, pois alguns Estados exibem claramente uma falta de vontade de acordar ações concretas e uma debilidade geral de compromissos internacionalmente acordados sobre a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres”, acrescentou Nayar. Segundo a ativista, enquanto, em geral, os direitos humanos são afirmados no contexto da saúde sexual e reprodutiva, a omissão específica dos direitos reprodutivos é flagrante.

 

Igualmente crítica foi Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega e presidente da comissão que leva seu nome e que há 25 anos centrou a atenção mundial no conceito de desenvolvimento sustentável. “A declaração da Rio+20 não faz o suficiente para colocar a humanidade em um caminho sustentável, décadas depois de se ter acordado que isto é essencial, tanto para as pessoas como para o planeta. Entendo a frustração causada pela Conferência”, disse em um comunicado.

 

Brundtland, que integra o grupo chamado The Elders (Os Anciãos), disse que “já não podemos presumir que nossas ações coletivas não gerarão pontos de inflexão, já que os umbrais ambientais foram violados, correndo o risco de danos irreversíveis, tanto para os ecossistemas como para as comunidades humanas. Estes são fatos, mas se perderam no documento final. Também é lamentável a omissão dos direitos reprodutivos, que é um passo atrás em relação a acordos anteriores. Entretanto, com este texto imperfeito temos que avançar. Não há alternativa”.

 

As reações de organizações da sociedade civil foram majoritariamente negativas. Anil Naidoo, do Conselho de Canadenses (a maior organização de cidadãos do Canadá) se manifestou contra o conceito de economia verde promovido na Rio+20. “Não havia visto tanta falta de cobertura verde desde o último Dia de São Patrício. O documento nem se aproxima do futuro que realmente queremos, e isso porque foi escrito considerando os interesses de uma minoria”, ressaltou.

 

Noelene Nabulivou, da Fiji Women’s Action for Change (Ação das Mulheres de Fiji pela Mudança), declarou à IPS que, “como ativista do Pacífico, vejo claramente os impactos catastróficos da mudança climática, a perda de biodiversidade e o aumento do nível do mar. A Rio+20 não faz justiça ao imediatismo e à severidade deste problema mundial”.

 

A uruguaia Nicole Bidegain, do Escritório de Gênero e Educação do Conselho Internacional para a Educação de Pessoas Adultas (Icae), afirmou que “a economia verde simplesmente reforça o atual modelo de desenvolvimento, baseado na produção e no consumo excessivos. São promovidos os mesmos mecanismos financeiros que causaram múltiplas crises desde 2008”, sem levar em conta os impactos negativos sobre os direitos e o sustento das mulheres.

 

Segundo Bidegain, o setor privado é priorizado sobre o público como fonte de financiamento. “Isto é irônico, já que o setor privado está envolvido na maximização do lucro de curto prazo, não nos investimentos de longo prazo necessários para a transição para um desenvolvimento sustentável, genuíno, centrado nas pessoas”, afirmou.

 

Monica Novillo, da boliviana Coordenadoria da Mulher, disse que veio “à Rio+20 com grandes expectativas de que os governos agregassem a histórica resolução sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos para jovens e adolescentes, adotada na 45ª Comissão de População e Desenvolvimento”. O Brasil teve um papel crucial na criação deste resultado, “por isso eu esperava que defendesse fortemente estes direitos fundamentais na Rio+20, contra uma minoria de governos conservadores”, afirmou. Embora na Rio+20 tenham sido reafirmadas as agendas do Cairo e de Pequim sobre população e mulheres, é hora de estes acordos serem plenamente implantados, enfatizou.

 

Gita Sen, da Dawn, lamentou que a cúpula praticamente tenha enterrado os direitos reprodutivos. “Neste documento fica muito claro que há uma contínua guerra contra os direitos humanos das mulheres, lançada pelo Vaticano junto com alguns governos muito conservadores”, afirmou à IPS. Envolverde/IPS

 

 

Como chegamos até aqui?

Vitae Civilis analisa a trajetória das cinco versões apresentadas para a declaração oficial da Rio+20. Conheça os textos na íntegra, um quadro comparativo e outros documentos para download. Leia mais

 

Não em nosso nome

Organizações sociais exigem a retirada do trecho “com plena participação da sociedade civil” da declaração oficial da Rio+20. Leia mais

RIO + 20: RESULTADOS COLHIDOS E POSSIBILIDADES SEMEADAS

A Rio +20 foi a Conferência Oficial. Supunha-se que os governantes e representantes de Estado se comprometeriam com um projeto de desenvolvimento no qual o meio-ambiente é sujeito de direitos. A sociedade organizada esperava que o respeito aos bens naturais fosse considerado como um pressuposto ético, acreditando que o meio-ambiente não é algo a ser preservado simplesmente para continuar sendo explorado.

 

Mas, na avaliação da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio + 20 que reuniu mais de 20 mil pessoas por dia representando a sociedade civil e os movimentos sociais, isso não aconteceu. Segundo Leonardo Boff, líder ambientalista que discursou em diversas plenárias da Cúpula, os debates da Conferência Oficial continuaram dentro do discurso do desenvolvimento econômico, e não se pôde alcançar uma discussão elevada no sentido do respeito à natureza, pois em nenhum momento existiu espaço para a discussão sobre ética e espiritualidade.

 

Dentre as atividades da Cúpula, modelos de desenvolvimento alternativos como as ecovilas e a educação para um novo tempo, a agroecologia como proposta alternativa ao agronegócio, o resgate de saberes dos povos tradicionais e a valorização dos indígenas, quilombolas, agricultores familiares; a diversidade de saberes e a unidade nos valores de respeito e solidariedade.  Nas plenárias da Cúpula, não houve aprovação  à “economia verde”, termo criado para sintetizar a proposta da Conferência Oficial. Os governantes e órgãos internacionais propõem fazer uma adaptação do sistema atual para as necessidades ambientais e não uma mudança estrutural, como defendem os movimentos e pessoas representadas pela Cúpula. Questionou-se o PIB (Produto Interno Bruto) como indicador do desenvolvimento de um povo e apresentou-se o FIB (Felicidade Interna Bruta) como forma de medição mais eficiente.

 

Os movimentos sociais elaboraram um documento alternativo ao documento da Conferência Oficial. Da Rio + 20 saiu “O futuro que queremos”. Da Cúpula dos Povos, A “Declaração Final em Defesa dos Bens Comuns e contra a mercantilização da vida”, além da discussão de 5 plenárias apontando causas estruturais de paradigmas atuais e possíveis soluções. (Leia: http://cupuladospovos.org.br/2012/06/confira-os-documentos-produzidos-nas-plenarias-da-cupula/)

 

Marina Silva

 

Com um discurso envolvente que sintetizou os anseios da sociedade civil que participou da Cúpula, Marina Silva conquistou plenárias lotadas. Ela falou da Teologia da Libertação como seu referencial ético na política. Homenageando Edgar Morin, citou a necessidade de processos multicêntricos e do diálogo de saberes. Questionando a Conferência Oficial onde engravatados de preto refletiam nas vestimentas a pouca diversidade de saberes em diálogo, Marina propôs um deslocamento do centro de poder; do centro estagnado para a borda, criando novos centros.

 

Mas avaliou como positivo tudo que aconteceu, principalmente a participação das pessoas. Estávamos ali todos mobilizados, um Brasil que compareceu, e não era por Carnaval ou futebol. Pois, citando Vitor Hugo, não há como deter uma ideia cujo tempo chegou.

 

Ela falou contra as dicotomias; contra a oposição.  Não é disso, segundo ela, que o mundo precisa. O que é necessário é posição. E foi contra as ideias “pragmáticas, objetivas, realistas”. Disse que precisamos ser sonhadores. Afirmou que se ela fosse “pragmática, objetiva e realista” não estaria ali, não teria chegado aonde está. Que a luta de nossa juventude é essa: passou “O petróleo é nosso”, o novo exige “As florestas são nossas”. E por fim, mandou um recado “amoroso” a presidenta Dilma - e ao incluir a amorosidade em seu discurso deu uma demonstração clara de que está afinada com a luta da nova juventude, que exige um posicionamento ético e uma relação com a espiritualidade - : “Brasil Urgente! O planeta está doente!”

 

Voltando à política – uma análise em 1ª. pessoa

Depois de sonhar com a clara emergência de uma nova liderança afinada com o pensamento sistêmico e respeitadora das diversidades, sou levada a naufragar na lama. Nada é perfeito, especialmente na política, onde por mais de 500 anos permanece atual o princípio maquiavélico.

 

Segundo integrantes do movimento contra a mineração, Marina apoiou nas últimas eleições o político José Fernando Aparecido (PV), ex-prefeito de Conceição do Mato Dentro de 2000 a 2006, quando foi aprovada a entrada da mineradora MMX na cidade, comandada por Eike Batista. Este último é um dos homens mais ricos do mundo, que ganhou dinheiro comprando terrenos a preços de banana e vendendo-os depois como riquezas minerais. Hoje nas mãos da Anglo Gold, a mineração em Conceição do Mato Dentro, é conhecida como um dos piores negócios para a  população local. A cidade inchou, tem de arcar com inúmeras dificuldades ambientais e sociais, e as condicionantes que a mineradora deveria cumprir até hoje não foram cumpridas; ou seja, exploração sem compensação. (Leia:http://www.uai.com.br/htmls/app/noticia173/2010/03/28/noticia_economia,i=153341/DISPUTA+ENTRE+MINERADORAS+E+PRESERVACAO+DEIXA+CIDADE+EM+PE+DE+GUERRA.shtml)

 

A campanha de Zé Fernando teria sido também financiada por Eike Batista, e Marina Silva estava a par disso quando resolveu apoiar a candidatura dele.

 

O problema não é a escassez de alimentos, mas a má distribuição

 

Movimentos sociais estão chegando à conclusão de que se ainda há 1 bilhão de pessoas no mundo passando fome, não é por falta de alimento. O mundo produz o suficiente para alimentar o dobro de sua população; só que a maior parte do que se produz vai alimentar animais para abastecer de carne os mercados mais ricos. Outros 30% da produção mundial de alimentos são desperdiçados, num sistema de transporte, armazenamento e distribuição precário, em que o alimento é produzido longe de seus mercados consumidores. Contradição ainda maior: depois que os transgênicos foram introduzidos nas plantações, os índices de fome  no mundo só aumentaram.

 

Presente nos debates que mais atraíram pessoas durante a Cúpula, Vandana Shiva, ativista indiana contra as patentes das sementes e ganhadora do Prêmio Nobel, afirmou que as monoculturas e os transgênicos destruíram a cultura milenar do algodão na Índia e foram responsáveis por 250 mil suicídios em 15 anos. As sementes transgênicas de algodão já não são mais tão resistentes quanto pregava a Monsanto e hoje, já sem suas sementes tradicionais, os agricultores indianos dependem de um modelo perverso de compra de sementes e herbicidas. Vandana afirma que as sementes não podem ser propriedade privada e defende diversidade e autonomia para cada agricultor. As monoculturas presentes nos sistemas de plantio, mas também nas mentes humanas, comprometem a resiliência do homem sobre o planeta. Sistemas complexos e diversos -policulturas- tem maior probabilidade de sucesso. (Indica-se o livro de Vandana: "Monoculturas da mente")

 

O modelo de agricultura extensiva atual é concentrador: 70% da água gasta no planeta vai para irrigação das monoculturas e 85% das terras mundiais estão na mão do agronegócio, embora este seja responsável por menos de 30% do alimento que chega à mesa. Isto porque a produção do agronegócio – grãos e biomassa- é destinada prioritariamente à alimentação de animais para produção de carne. Os grãos são exportados e se destinam a apenas 16% da população mundial, que consome 78% do total de tudo que é produzido no planeta.

 

Conclusão:

1- Apesar de ocupar menos de 15% das terras mundiais, a agricultura familiar responde por 70% da alimentação mundial. O resgate dos saberes locais, de padrões alimentares não-globalizados e a defesa da agroecologia como modelo alternativo ao agronegócio são tendências atuais para uma nova forma de organização e produção menos concentradora das riquezas.

2- Uma elite do planeta consome mais de três quartos da produção mundial e precisa urgentemente rever seus padrões de consumo. Se toda a população mundial pudesse consumir como essa elite consome, não seria possível ao planeta renovar os recursos necessários à sustentação desse padrão. As perguntas e a ética dos permacultores são bons parâmetros nesse momento: O que é necessário à minha sobrevivência? O que é supérfluo? Que modelo de desenvolvimento estou alimentando com minhas escolhas de consumo? (Fonte: Coluna do Meio Ambiente)

 

Fontes: - Excelente entrevista com Vandana Shiva:http://www.brasildefato.com.br/node/9778

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/232-a-agroecologia-e-a-esperanca-globalizada

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/temas-prioritarios/construcao-do-conhecimento-agroecologico2/236-a-economia-verde-e-um-cavalo-de-troia-invisivel

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/temas-prioritarios/construcao-do-conhecimento-agroecologico2/236-a-economia-verde-e-um-cavalo-de-troia-invisivel

-http://g1.globo.com/natureza/rio20/traduzindo-a-rio20/platb/2012/06/21/no-texto-final-o-curto-prazo-tem-mais-urgencia-que-o-longo-prazo/

- http://g1.globo.com/platb/mundo-sustentavel/

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/203-movimentos-reafirmam-suas-proposicoes-para-politica-nacional-de-agroecologia-e-producao-organica

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/226-por-busca-de-solucoes-na-producao-de-alimentos

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/229-agricultura-industrial-um-dos-componentes-centrais-da-crise-climatica

-http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/231-pat-mooney-custo-de-pesquisa-de-sementes-transgenicas-e-136-vezes-maior