O lixo reciclável da cidade é separado em ambiente hostil. Há um recurso federal, de R$ 500 mil, liberado há quatro anos, que não pode ser usado justamente por falta de estrutura Depois de mais de dez anos, a cooperativa de sucata, que fica no Centro de São Sebastião, continua com problemas, se não piorou desde sua fundação. Segundo a tesoureira Edileusa Oliveira Santos, uma das fundadoras, depois que a sede do bairro Cambury, na Costa Sul, fechou em agosto do ano passado, o lixo da cidade inteira é descarregado no galpão, que não tem capacidade para isso, ou seja, fazer a separação do orgânico para o reciclável.
A equipe da redação recebeu uma reclamação do morador J.R, da qual informava a situação a que se encontrava esse serviço. "Boa parte da reciclagem está sendo separada na rua. Do material exposto acumula água, tendo o risco de focos de dengues. Além dos ratos que aparecem na redondeza", desabafa.
Nos arquivos do Jornal Imprensa Livre, de 2005, consta matérias com enfoques nos problemas de instalações e estruturas, com resposta da prefeitura, prometendo melhorias. Inclusive existe uma verba federal no valor de R$ 500 mil, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) cedida desde 2007, que não foi liberado até hoje. O convênio assinado obriga à cooperativa estar completamente regularizada, o que não acontece, já que precisariam de um lugar apropriado.
Edileusa ressaltou as situações que o galpão se encontra hoje, com instalações elétricas irregulares, sem circulação de ar e falta de espaço, "aparecem ratos e gera muito mau cheiro", desabafou.
Segundo os cooperados, todos passaram a sofrer de alguma doença, entre eles bronquite, diabete e pressão alta. De acordo com a presidente da cooperativa Ana Alves Duarte, 48 anos, a prefeitura paga o aluguel, luz e água. No local, trabalham 25 pessoas, sendo a maioria mulheres. Destes, oito vieram da Costa Sul, dois deles são contratados pela própria cooperativa. Ela alertou que a sede do bairro Cambury ainda está com volumes grandes de sucata. "Além do que ficou por lá, e não foram recolhidos os moradores descarregam seu lixo no terreno ainda", acrescentou.
O trabalho deles, que é da 7h as 17h, com uma hora de almoço, se resumem em separar o lixo tanto reciclados, como os rejeitos, que toda a tarde é retirado pelo caminhão de lixo, imprensar todos material e vender. "Temos vendedores de varias cidades", comentou Edileusa Oliveira Santos, se referindo a importância do trabalho.
A cozinha do local fica dentro do galpão junto ao lixo. É onde eles comem, com ratos e outros insetos. A situação é tão precária que, segundo a presidente, o dono do galpão reclama das condições que sua propriedade se encontra. "Ele já adiantou, que o contrato que vai até julho, não será renovado", adiantou.
Orgulho
O secretário do Meio Ambiente, Eduardo Hipólito do Rego, por meio da assessoria de imprensa, explicou que a secretaria está empenhada em encontrar um novo galpão para a cooperativa. De acordo com a assessoria, eles sabem dos problemas que o atual tem e que "fizeram instalações voltadas para segurança dos cooperados". "A Secretaria trabalha com duas frentes, a curto e médio prazo", avaliou o secretário do Meio Ambiente Eduardo Hipólito do Rego, por meio da assessoria.
Ainda conforme ele, o curto prazo consiste em encontrar um lugar provisório que aguente a demanda imposta pela cidade. Há preferência da prefeitura pelo Centro, Topovaradouro e Costa Norte.
Nesse sentido, em médio prazo pretende encontrar um lugar definitivo, na Costa Norte, próximo do local onde será realizado o tratamento mecânico biológico. "O prefeito autorizou o inicio do projeto para a sede da cooperativa definitiva", conta o secretário.
Segundo ele, existe também a verba federal que os cooperados só receberão depois de cumprir as regras de regularidade.
O secretário comunicou também por intermédio da assessoria, que a prefeitura vai disputar um edital que financia, a fundo perdido, caminhões para os cooperados. "A cooperativa sempre será integrante dos planos da pasta. Há uma obrigatoriedade de formar cooperativas em todas as cidades do Brasil. São Sebastião tem uma há mais de 13 anos, motivo de orgulho para mim", finalizou o secretário do Meio Ambiente.
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